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Taxa das blusinhas volta em 2027: veja como fica a compra em sites como Shein e Shopee

Mulher assustada com celular ao ver taxa de importação de R,60 no site da Shein no notebook
Imposto federal sobre compras internacionais retorna em 2027, mudando as regras para pequenas encomendas e e-commerce popular. Imagem: Blog Grupo de Desconto.

Taxa das “blusinhas” volta em 2027 com cobrança da CBS sobre compras internacionais de até US$ 50 em sites como Shein e Shopee.

A cobrança de imposto federal sobre compras internacionais de baixo valor será retomada em 2027 por meio da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS). A mudança foi definida com a reforma tributária e deve afetar consumidores que compram em plataformas como Shein e Shopee.

A nova regra começa a valer a partir de janeiro de 2027, com alíquota estimada em 9,43%. O percentual definitivo será estabelecido pelo Senado até dezembro de 2026. A CBS substituirá o atual modelo de tributação aplicado às encomendas de até US$ 50, aproximando as regras entre produtos nacionais e importados.

A medida atende a uma demanda do varejo brasileiro e busca equilibrar a tributação entre compras feitas no país e aquelas realizadas em plataformas estrangeiras, podendo elevar o custo final de itens importados.

O que muda com a volta da taxa das blusinhas em 2027?

Em 2027, compras em sites como Shein, Shopee e AliExpress voltarão a ser tributadas pelo governo federal, independentemente do valor da encomenda. Isso ocorre devido à nova Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), prevista na reforma tributária, que substitui o antigo imposto de importação para compras internacionais de até US$ 50.

A cobrança da CBS não possui teto de valor, ou seja, toda importação terá tributo federal, eliminando a isenção anterior que favorecia plataformas estrangeiras.

A CBS terá a mesma lógica sobre produtos nacionais e importados, promovendo, segundo as entidades do varejo, um ambiente de competição mais justo. O percentual de 9,43% para a CBS é uma estimativa com base em cálculos privados, já que o governo ainda finalizará a regulamentação até dezembro próximo.

Essa alteração marca o retorno da tributação sobre compras de baixo valor no e-commerce internacional e pode encarecer significativamente produtos populares como roupas, eletrônicos de pequeno porte e acessórios vendidos nesses marketplaces.

Como funcionava a cobrança antes e depois da taxa das blusinhas?

Até agosto de 2024, compras internacionais de até US$ 50 realizadas por pessoas físicas em empresas integradas ao programa Remessa Conforme estavam isentas do imposto de importação. Com a criação da “taxa das blusinhas” pelo Congresso, passou-se a cobrar 20% de imposto sobre essas encomendas, justificando a medida como proteção à indústria nacional.

Contudo, no primeiro semestre de 2025, o governo revogou a taxação via medida provisória assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, voltando a zerar o imposto até o fim de 2026. Essa isenção gerou críticas no setor varejista brasileiro, que argumentou haver desequilíbrio tributário frente ao comércio nacional.

Em 2027, com a vigência da CBS, retornará a cobrança federal sobre qualquer valor de encomenda vinda do exterior, extinguindo a regra dos US$ 50 e estabelecendo, pela primeira vez, um imposto único para produtos nacionais e importados.

Quais os impactos para o consumidor de sites como Shein e Shopee?

A partir de 2027, o valor final dos produtos comprados em sites internacionais sofrerá acréscimo da CBS, estimada em 9,43%, além do ICMS estadual, que varia entre 17% e 20%. O novo tributo federal incide direto no cálculo da compra, tornando as famosas promoções e preços baixos menos vantajosos para o comprador brasileiro.

Segundo projeção feita pela consultoria Roit, a soma dos tributos federais e estaduais pode elevar significativamente o preço de itens populares nesse tipo de plataforma. Além disso, a lógica de imposto único aplicada pela CBS reduz a diferença de preço entre varejistas nacionais e estrangeiros, afetando principalmente os consumidores que buscavam alternativas mais econômicas no e-commerce internacional.

ICMS estadual e transição até 2032

Mesmo com a entrada da CBS, os estados continuarão cobrando ICMS sobre importações de baixo valor, com alíquotas que variam de 17% a 20%. Até 2032, haverá uma transição gradual em que ICMS (estadual) e ISS (municipal) darão lugar ao IBS, imposto unificado para consumo. Ao fim desse período, a soma da CBS federal e do IBS estadual/municipal pode chegar a uma carga tributária estimada de 26,5% sobre importações, uma das mais altas do mundo.

Mulher jovem olhando séria para notebook ao lado de caixa de papelão e documentos
Nova CBS iguala a tributação entre produtos nacionais e importados, afetando preços de sites como Shein e Shopee. Imagem: Blog Grupo de Desconto.

Varejistas e setor produtivo defendem a volta do imposto

Grandes redes varejistas brasileiras e o Instituto para Desenvolvimento do Varejo (IDV) defendem que a CBS sobre compras internacionais de baixo valor é essencial para corrigir distorções tributárias e proteger empresas nacionais. O setor argumenta que a isenção anterior favorecia empresas internacionais, prejudicando o comércio local, que já arca com alta carga tributária e gera empregos no país.

“Todas as operações comerciais com bens e serviços devem ser tributadas, inclusive as importações de pequeno valor, respeitando a lei e o comércio local”, declarou o IDV em nota oficial.

Segundo dados apurados pelo G1, desde julho de 1994, o setor de vestuário nacional apresenta inflação menor do que a média do IPCA, um dos indicadores de que a concorrência com os sites estrangeiros impacta diretamente o segmento produtivo brasileiro.

Regras, prazos e futuras definições finais para a CBS em 2027

A definição da alíquota exata da CBS ocorrerá por resolução no Senado até dezembro de 2026. O percentual pode ser ajustado caso o Congresso aprove alíquotas menores para o imposto seletivo (conhecido como “imposto do pecado”), que também fará parte da reforma tributária sobre o consumo. Produtos como álcool, cigarros, refrigerantes e veículos poluentes terão tributação diferenciada.

O valor inicial da CBS foi projetado pelo governo em 8,8%, mas novas exceções elevaram a estimativa para 9,43%. O planejamento federal é recalcular a alíquota para manter a arrecadação atual, independentemente da quantidade de produtos isentos. Até o fim de 2026, o imposto terá destaque em fase de testes, mas a cobrança plena começará em janeiro de 2027.

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